MÃE
"Mãe, eu sinto muito a sua falta, sabia? Minha vida sem você é tão diferente... Olha só, eu estou casada novamente, com um cara decente, tenho um monte de filhotes que me amam e uma casa linda. Acho que você não ia gostar muito da minha casa, mas tudo bem. É que você nunca gostou de casa, né? Sempre preferiu apartamento, sei... E nunca gostou muito de bicho... de gato então! Eu sei, é por causa da sua alergia... Mas olha mãe, eu estou feliz, não é isso que importa? Passei por umas poucas e boas até chegar aqui, mas tentei ser forte. Como você sempre foi. Você, sim, sempre foi uma mulher lutadora, de personalidade marcante. Dominadora. Possessiva. Ciumenta. Rancorosa. Escorpiana com toda a força zodiacal. Brigona. Faladeira. Engraçada. O centro das atenções. Competente. Vingativa. Controladora. Pouco ambiciosa. Mas que sempre gostou do melhor. Única. Sempre odiou pizza e sempre adorou jaca e isso sempre me encucou. Conseguia ficar 3 horas no telefone. Ou ficar 3 anos em falar com alguém de quem tenha mágoa. Tudo isso encerrado numa baixinha, que do alto dos seus 1,54m, me ensinou a encarar a vida sempre em cima de um salto 10. Porque, como você, sou baixinha. Como você, mãe, eu sou forte hoje. Não tanto de personalidade marcante, mas tenho a ligeira tendência a ser dominadora e possessiva. Ciumenta sim, do jeito que você sempre foi. Mas nem um pingo rancorosa. Me faz mal. E sempre fez mal a você também, eu sei. Seu jeito "escorpião" de ser sempre magoou meu jeito "pisciano" de ser. Mas eu sempre era a primeira a perdoar e esquecer. Também sou brigona, mas sempre perdia as discussões pra você. Sou faladeira do mesmo jeito. Engraçada também. Mas nunca o centro das atenções. Sou competente como você me ensinou a ser. Mas jamais vingativa e controladora. Não tenho grandes ambições, assim como você nunca teve. E gosto do que é bom. Tento ser única, embora já tenha, exaustivamente, tentado ser como você. Adoro pizza e odeio jaca. Gosto de um telefone, mas não consigo ficar sem falar com alguém com quem briguei sem que uma agonia intensa tome conta de mim. Sou um pouco mais alta do que você e isso sempre te incomodou, lembra? Mas você sempre conseguiu ser maior do que eu. Me ensinou a ser gente. De uma forma difícil, mas ensinou. Nunca duvidei do seu amor por mim, mas você sempre golpeou minha auto-estima de uma forma quase irrecuperável. Nunca foi fácil ter uma mãe perfeita aos olhos dos outros. Porque eu nunca fui uma filha perfeita. Não realizei seus sonhos. Não cumpri suas metas. Não fui o que você esperava. Mas sempre te amei, incondicionalmente, inconsequentemente. Sei que você teve suas razões quando me afastou do meu pai e sei que você detestaria a idéia de saber que estamos nos entendendo maravilhosamente bem. Melhor do que nós duas jamais nos entendemos. Sei que o laço foi cortado sem que pudéssemos dizer, uma à outra, milhares de coisas que até hoje estão na minha garganta. Sei que a nossa vida juntas foi interrompida sem que pudéssemos dizer o quanto nos amávamos, apesar de tudo. Sei que você jamais me perdoou por muitas coisas. E eu também. Mesmo assim, há dois anos, 2 meses e 17 dias, sinto a sua falta de uma forma inevitável, incontrolável, insuportável. Te amo mãe. Feliz Dia das Mães. Carol."
Sexta-feira, Maio 06, 2005
Quarta-feira, Maio 04, 2005
FÁCIL, EXTREMAMENTE FÁCIL...
Não é fácil crescer. Alguém um dia disse que era?
Não é fácil deixar de acreditar em contos de fadas. Alguém um dia disse que eles existiam?
Não é fácil lutar pelas coisas importantes. Alguém um dia disse que elas viriam fáceis?
Não é fácil distinguir o que vale a pena. Alguém um dia disse que você não teria escolhas?
Não é fácil saber o que se quer. Mas, pelo menos isso, você tem que fazer. E logo.
Terça-feira, Maio 03, 2005
AÍ...
Aí a gente fica tão preocupada com os problemas alheios que esquece de resolver os nossos;
Aí a gente fica tão preocupada com a vida alheia que não vê a nossa descarrilhar feito um trem embalado;
Aí a gente fica tão preocupada com os relacionamentos alheios que não cuida direito dos nossos;
Aí a gente fica tão preocupada com os outros que esquece dos nossos;
Aí a gente um dia olha no espelho... e tem motivos pra ficar realmente preocupada...
