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Quarta-feira, Maio 31, 2006


Enfim...


E um dia a novidade cai como uma bomba no seu colo.

Ele está bem. Está rindo. Parece até feliz.

E está com outra pessoa.

E você?

Dilacerada numa dor escrota que nunca sentiu na vida.

Mas sabia que um dia ia sentir...







Terça-feira, Maio 23, 2006


Mais um dia...


Acordar e dormir sozinha.

Chegar em casa e só ouvir o silêncio.

Comer sem companhia.

Não sentir mais os pés gelados do outro por debaixo do edredon.

Mudar de estação cada vez que toca aquela música.

Não frequentar os mesmos lugares.

Não ligar para os mesmos amigos.

Criar coragem pra encaixotar as fotos.

Jogar fora os presentes.

Lembrar lembrar e tentar não chorar.

Ouvir a voz dele e tentar não gritar.

Sentir um perfume na rua e não seguir o rastro.

Mais um dia se passa...







Terça-feira, Maio 16, 2006


Aos amigos...


Um dia a gente se afasta. Por algum motivo. Ou não se desgruda um dia sequer. Segue caminhos diferentes, interesses diferentes. Ou tem os mesmos gostos, objetivos, tudo em comum. Casa, separa ou se muda pra longe. Ou continua solteiro e companheiro de balada. Tem filhos. Ou não. Se encontra na rua e não pára de se agarrar de saudade. Ou só dá um tchau de longe. Se acha no orkut ou nunca mais ouve falar.

Mas a vida... ah, a vida...

Estou falando dos meus amigos. Aqueles que, mesmo esquecidos por longo tempo ou lembrados diariamente, foram me buscar lá no fundinho do poço onde eu teimo em me enfiar de vez em quando.

Meus amigos antigos e novos, solteiros e casados, baladeiros e tranquilos, virtuais ou reais. Todos, todos. Todos amados e queridos. Surgindo surpreendentemente nos momentos exatos e dos lugares mais inusitados.

Eu não seria nada sem vocês. Especialmente nesse momento.

Obrigada por tudo queridos.







Quinta-feira, Maio 11, 2006


Step by Step...


Daí um dia você acorda e não chora mais. Não porque não está triste ou não tem vontade. A tristeza ainda está lá e a agonia ainda te faz querer prantear. Mas porque as lágrimas não vêm. Secaram, parece.

Daí você olha pela janela e o mesmo sol te espera lá fora. A mesma vida. Os mesmos amigos. Tudo continua, mesmo você tendo parado no tempo pra sofrer.

E daí você resolve entreabrir uma janelinha. Apenas pra deixar a luz entrar um pouquinho. Apenas pra ver o que a vida lá fora anda aprontando e você não percebeu.

Ainda há dor. Ainda há sofrimento. Ainda há solidão. Ainda há amor. Ainda há luto.

Mas pelo menos você começa a olhar pela janelinha...







Segunda-feira, Maio 08, 2006


Como esquecer?


Como esquecer, se o gosto dos beijos até hoje está na minha boca. Se as palavras de amor ecoam sem fim dentro dos meus ouvidos. Se os sonhos a perseguir tomam minha alma. Se as promessas feitas esperam ansiosas dentro da minha mente.

Como esquecer, se ainda estou totalmente impregnada de você. Se minha vida ainda é conjugada no plural. Se meu amor não diminui por mais desiludido que ele esteja. Se não há pra onde fugir, porque está tudo dentro de mim.

Como esquecer, se ainda quero. Se ainda amo. Se ainda desejo. Se ainda sonho. Se ainda prometo. Se ainda vivo. Se ainda espero.

Como esquecer?







Terça-feira, Maio 02, 2006


A sete chaves


Queridos,

não tenho palavras pra agradecer as demonstrações de carinho de vocês. Mesmo os que não comentaram aqui mas enviaram e-mails, telefonaram, me visitaram, enfim...

No meio desse turbilhão, uma decisão foi tomada. Por minha conta e risco. Estou fechando a casa. Não essa daqui (talvez, ainda não sei), mas a minha casa. A casa onde morei nesses últimos dois anos e fui tão feliz. A nossa casa. Aquela escolhida a dedo. Aquela perfeita pra nós dois. Aquela que abrigou nossos filhotes. Aquela que vários de vocês conhecem pessoalmente e sempre querem voltar. De tão gostosa. De tão aconchegante. De tão amorosa. De tão lar. De tão nossa.

A Casa, que sempre foi tão importante pra nós dois. Aquela que guarda toda a nossa vida. Mas também que abriga todas as nossas lembranças. Boas ou não. Cujas fotos nas paredes causam dor. Cujos vazios nos armários causam sofrimento. Cujo silêncio causa angústia e confusão.

Que nos últimos dias vem escondendo uma pessoa que eu não quero ser. Que vem contribuindo para uma tortura sem fim. Que não é mais a minha casa, porque sempre foi a nossa casa.

Estou fechando a casa. Os cachorros estão indo pra uma hospedagem. Os gatos, não sei. Giovane decidirá o que fazer.

Vou fazer uma pequena mala, poucas roupas e meu notebook. Quem sabe um livro. Vou levando apenas meu coração angustiado que precisa respirar.

Não sei por quanto tempo. Talvez alguns dias. Semanas. Talvez não volte mais. No momento tudo é um "não sei". E esse "não sei" me consome. Me enlouquece.

Preciso estar de fora pra tentar enxergar. E quem sabe tentar saber. Tentar trancar os fantasmas lá dentro, pra ver se quando eu voltar vou estar mais forte pra poder enfrentá-los.

Quanto à essa casa aqui, também é um não sei. Mas por enquanto ainda preciso dela. E de vocês. Afinal não é justo fazer vocês rirem pelos últimos dois anos e não pedir um pouquinho de choro.

Rezem por mim? Estou indo...