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Segunda-feira, Agosto 21, 2006


Obrigada Senhor!


Outro dia minha terapeuta mencionou uma paciente que não tinha amigos. Nada. Ninguém.

Nem uma pessoinha sequer pra ligar, sair, almoçar, conversar ou mesmo ficar calada. Ninguém pra ir ao cinema, tomar sorvete, falar besteira ou rir à toa. Ninguém pra sentar no boteco e beber até cair, sair pra paquerar, discutir sobre política, brigar sobre religião. Mandar ir à merda e depois pedir desculpas. Ninguém pra visitar ou ser visitado. Ninguém pra entrar na casa, abrir a geladeira com intimidade e beber água no gargalo da garrafa. Ninguém pra pedir roupa emprestada, viajar junto, chorar no ombro. Ninguém pra dar ou ganhar conselhos e esporros na mesma frequência e intensidade. Ninguém pra trocar olhares cúmplices ou ser entendido sem necessidade de palavras. Ninguém pra segurar tua onda, pra te defender numa briga, pra te acusar quando estiverem a sós. Ninguém pra te falar umas boas verdades ou umas mentiras necessárias.

Uma pessoa que não tem ninguém.

E eu tava reclamando do que mesmo nessa minha vida?

*Amilga. Tiamu, viu?







Terça-feira, Agosto 15, 2006


Feliz Dia Dos Pais (atrasadinho, né)


Esse post foi originalmente publicado na véspera do aniversário do meu pai, no Quatro Bilhões.

Pra todos os pais, meus parabéns atrasadérrimo...


Quarta-feira, Setembro 08, 2004

Primeiro Amor

Dizem que o primeiro amor de uma garota é seu pai. Filha e pai estão quase sempre grudados, num eterno complô, onde a mãe proíbe e o pai permite, cheios de segredos e agrados, coisas só deles dois. A princesa do papai, o orgulho nos 15 anos, a ranha com o primeiro namorado, a emoção de levar a filha noiva ao altar.

No meu caso foi bem diferente. Meus pais se separaram quando eu tinha 9 anos de idade e acho que meu pai não sabia lidar muito bem com uma filha mulher. Filho homem sim, serve pra ir ao clube, acompanhar na pelada ou assistir ao Mengão na TV.

Durante toda a minha vida a ausência de meu pai foi completamente normal pra mim. Reforçando essa ausência tinha uma mãe de personalidade fortíssima. Linha dura, repressora em vários momentos, escorpiana vingativa e radical. Uma mãe que eu sempre amei de paixão, incondicionalmente.

Minha mãe vivia reclamando pra quem quisesse ouvir a falta de atenção que meu pai tinha comigo. Plantou na minha cabeça a idéia de que ele fazia falta, mas que ao mesmo tempo ele era dispensável. Ela era mais uma boa mãe separada se esforçando pra criar os filhos.

Assim, aprendi a viver sem meu pai. Sem ouvir seus conselhos, sem pedir suas opiniões. Durante um bom tempo até me recusei a falar com ele. Cruzava com ele na rua e fingia que não conhecia. Se ele me fazia falta? Eu jurava que não. Mas certa e dolorosamente, sim.

Quando me separei de meu marido, há quase dois anos, sofri uma grande perda: minha mãe parou de falar comigo. Ela sempre foi meu apoio, meu esteio, a seta que apontava minhas direções. E quando eu estava perdida, sem saber direito o que fazer, foi meu pai quem apareceu no meu caminho.

Sem fazer perguntas, sem proferir julgamentos, sem me indicar soluções ou caminhos. Apenas me estendendo a mão e dizendo que, por onde eu escolhesse caminhar, ele estaria ao meu lado.

Desse tempo todo pra cá, descobri meu pai. Acabei entendendo que, durante um bom tempo, ele estava ao meu lado. Mas estava quietinho, observando. Talvez com medo, porque eu e minha mãe não deixáramos vago o lugar que ele ocupava. Talvez acomodado, porque eu estava indo bem, mesmo sem ele.

Mas na primeira oportunidade surgida, ele não deixou a chance escapar. Agarrou com todas as forças e me puxou de volta pra ele. Aos quase 30 anos eu descobri meu pai.

Descobri que debaixo daquele jeito ranzinza tem um cara bem-humorado. Como eu.

Descobri que ele grita, berra e esperneia, mas dali a 5 minutos tudo está bem novamente. Como eu.

Descobri que ele é muito sem paciência com crianças, mas adora todas as que fazem parte da família. Como eu.

Descobri que se pode contar tudo pra ele (quase tudo né?). Só não mentiras. Como eu.

Descobri que ele pode não ter sido meu primeiro amor... Mas pode ser meu amor para sempre.








Sexta-feira, Agosto 11, 2006


Conclusões


"Não sinto falta do Giovane. Sinto falta do meu casamento. E sim, são coisas completamente diferentes."

"Preciso encontrar alguma coisa que me motive, que seja um momento só meu. Um hobby novo, um esporte, uma aula de lambaeróbica (isso ainda existe?)."

"Eu reproduzo no meu dia a dia vários comportamentos da minha mãe que eu sempre recriminei e tive terror e pânico. E só essa constatação já me deixa congelada."

"Tenho dificuldades pra me enxergar. Pra me definir. Preciso que as pessoas me digam quem eu sou. Mas geralmente não concordo com o que elas têm a dizer."

"Uso o sexo como válvula de escape (até aí não estou vendo nenhum problema...)."

"Não sei ser mulherzinha. Sou brother. E gosto de ser assim. Mas queria saber fazer manha."

"Quando estou em um relacionamento estável produzo mais no meu trabalho. Por isso que não tenho feito porra nenhuma no escritório."

Oi pessoas, vocês estão aí? Deu pra notar que hoje foi dia de terapia?







Quinta-feira, Agosto 10, 2006


Vida de solteira


Vida de solteira é boa né? Ahãn... Mas fácil não é...

Troquei aquela casa dos sonhos, lembram? Jardim, quintal, bichos, varandão, etc, etc... pelo apartamento, agora, dos sonhos.

Tá, não é dos sonhos, mas é do tamanho do meu sonho no momento. Três quartos. Sala razoável, cozinha, dois banheiros.

Já me mudei há quase três meses e ainda não consegui arrumá-lo. Primeiro porque faltou ânimo mesmo. Me mudei porque tinha que mudar. Mudar de ares, de casa, de ambiente, de amigos, de tudo.

Segundo porque me falta tempo. Trabalhando demais da conta e me jogando na rua, pra não ficar sozinha pensando besteira.

Terceiro porque tem que ficar exatamente do jeitinho que eu quero. Nem mais nem menos. Mais ou menos a minha cara.

O resultado até o momento?

A sala, já com os móveis, mas com todas as estantes espalhadas pelo chão esperando um ser do sexo masculino vir furar a parede. Porque eu sou moderna mas não sou doida de sair fazendo buracos a torto e a direito, que não é minha praia...

Um quarto de TV, com o Home Theather, um sofazão e espaço pros meus mais de 200 DVDs, que pretendo assistir novamente, um por um...

Meu quarto que, por enquanto, só a cama está no lugar. E um outro quarto que, teoricamente, será o escritório, mas que está lotado de caixas, estantes, livros e muita bagunça.

Tintas por todo o lado e paredes a pintar (by myself). Cds espalhados, notebook sempre ligado, e uma geladeira que só tem água, cerveja, vodca, vinho, gelo e sorvete. Muita pipoca de microondas.

Pressentimento de que estou no caminho. Qual caminho? Ah, se eu soubesse, daí que não teria graça mesmo...







Sexta-feira, Agosto 04, 2006


A doutora...


Que eu quase enlouqueci, nem preciso dizer, vocês bem viram...

Nesse percurso fui parar na "doutora".

Tenho pena dela, sabem... Num dia choro, só choro. Em outro falo, só falo e falo muito. Outra vez fico calada, emburrada e mal-humorada. Ontem estava eufórica.

Sem falar nos e-mails trocados, telefonemas dados e muito trabalho que eu dou pra ela.

Sabe que tá até divertido? É bom ter alguém pra ratificar minhas loucuras...







Terça-feira, Agosto 01, 2006


Era uma vez...


Uma princesa que um dia que conheceu um belo príncipe, que a resgatou de uma torre e lhe fez promessas de amor eterno. Casaram-se e foram felizes para sempre

Bom... vamos contar a história direito.

Uma moça. Baladeira que só. Meio doidinha. Independente e prática. Ligada em 220v.

Um rapaz. Tranquilo que só. Calmo e centrado. Caseiro e romântico.

Que se encontraram e viveram uma linda história de amor. Mas que acabou. Nada de felizes para sempre, porque o "pra sempre, sempre acaba", já dizia Renatinho...

Foi difícil pra moça superar o que passou. Ainda é. Mas um certo dia ela acorda e tudo está diferente. Está menos sofrido, menos difícil, menos conturbado. Possibilidades se abrem diante de seus olhos. E elas são inúmeras.

Pessoas interessantes, amigos fiéis, família inacreditável... Tudo que antes parecia pouco, de repente se torna tudo.

E um namoro. Ah, um namoro lindo, com a pessoa mais incrível do mundo.

Com ela mesma. Um namoro consigo, com suas belezas, suas fraquezas, seus sonhos e desejos.

E ela está bem, senhoras e senhores da platéia, que tanto mandaram e-mails, scraps, mensagens, comentários e telefonemas. Ela está bem, obrigada por tudo.

Consequentemente, acho que daqui pra frente, nossa programação volta ao normal...