E tem como mentir?
Doeu pra caralho. Começa agora a limpeza aqui dentro.
Terça-feira, Outubro 31, 2006
Sábado, Outubro 28, 2006
Ano novo, vida nova. Resolvi tomar algumas resoluções para o novo ano que vai chegar. O quê? Ainda faltam dois meses para o novo ano? Foda-se. Preciso dessas resoluções agora. Aliás, pra ontem.
E a primeira delas é apagar. Sim, apagar. Começando por aqui. Portanto, quem leu, leu. Quem não leu pergunta pra alguém que leu. Mas todos os posts sobre o meu namoro e, consequentemente, o meu casamento, serão devidamente apagados. As declarações de amor, as histórias, as fotos. Tudo.
Não os posts atuais. Esses eu vou deixar. É bom de vez em quando lembrar porque estou sofrendo pra ver se não caio no mesmo engodo.
Portanto, enxugar é a palavra de ordem. Os posts, a vida, as lágrimas, principalmente.
Lá vou eu...
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Já aconteceu comigo, com você ou com qualquer outra amiga. Você é trocada. Sai arrasada do relacionamento, enquanto sabe que ele está bem, feliz, tocando a vida ao lado de outra. Alardeando aos quatro ventos que se enganou, foi mal, ops, desculpe, você não era a mulher da vida dele, o grande amor que ele sempre procurou. Mas essa outra é.
Se você é como eu, não vai querer saber. Evita a todo custo. Pede pros amigos nem tocarem no assunto. Não te interessa mais. Se ela é bonita, feia, magra, gorda, branca, negra, se é mais inteligente, se é rica, se já era amiga dele ou amiga de algum amigo ou como eles se conheceram. Simplesmente acha que isso não vai te ajudar em nada e prefere não saber. E acha que está bem assim.
Mais de seis meses depois, mesmo ainda sem querer, você acaba sabendo. Enquanto vai absorvendo as novidades, ainda tem a certeza de que, passado tanto tempo, isso não vai te ajudar, mas também não vai te abalar. Que você superou, sua vida é outra, sua cabeça está no lugar e já estava mesmo na hora de parar de evitar o assunto.
Mentira. Vamos parando de se enganar. Você não pode acreditar no que ouve e vê (sim, você viu fotos). Pensa imediatamente que é despeito seu. Inveja. Ou até preconceito. Mas lembra dos seus amigos criticando e você não querendo ouvir. Tenta entender o que está acontecendo ali.
Ela não é bonita. Aliás, está longe disso. Mesmo você não se considerando bonita, consegue vizualizar uma grande distância entre as duas (será o despeito falando?). Pela narrativa do que você está ouvindo, fica sabendo que o nível social e intelectual entre vocês duas parece outro abismo. Fica chocada. Preconceito seu? Ou apenas a surpreendente constatação de que isso não tem a mínima importância pra ele, só pra você? Tenta entender o que ele viu nela. Naquela ali, especificamente. O que ele viu que não viu em você. Tenta ver o que ela tem que você não tinha mais aos olhos dele.
E mais uma vez seu mundo parece querer desabar. E pensa que, mesmo que ela fosse mais bonita, linda, maravilhosa, mais inteligente, mais rica e descolada, ainda assim você estaria inconformada. Ainda assim estaria chocada. Por outros motivos, mas ainda assim. E entende que esses sete meses não foram nada. Que sete meses não são nada pra quem sempre amou tanto.
E que ainda tenho muito o que caminhar...
Terça-feira, Outubro 10, 2006
Um dia a gente acha que criou juízo (criar juízo? o que ele come?). Acha que aprendeu alguma lição com as experiências que passou na vida (rá!). Se sente mais segura, mais safa, mais dona da própria vida (e, no entanto, só está mais tapada). Afirma que não cairá mais em velhas armadilhas e truques (mas são sempre os mesmos, disfarçados). Diz que sabe o que quer e não aceita nem um tiquinho menos que isso (e na verdade não sabe é de nada).
Faz promessas de amor-próprio, de se dedicar mais aos amigos e família, comprar uma planta, pensa em fazer yoga, resolve continuar aquele curso de pintura, visitar mais sua afilhada, arrumar de vez seu apartamento, jogar fora tudo que é papel velho e inútil do escritório, cortar mais do que dois dedos do cabelo, experimentar aquele bronzeamento artificial, comprar uma bicicleta, ter uma conversa séria com sua mãe, dar de vez um fora naquele cara chato e grudento, comprar uma armação de óculos mais moderna, aprender a calibrar os pneus do carro, pintar as unhas de vermelho-cheguei e os cabelos de loiro-festa, ir ao cinema semanalmente, juntar as amigas para fofocar e comer porcaria, assistir mais filmes pornôs, comprar uma minissaia, ir a uma cartomante, tomar um banho de chuva, comprar menos sapatos, comer menos também...
Daí você se prepara pra todo esse vasto potencial que se abre na sua nova vida...
E falha, miseravelmente.
Por quê? Porque a porra do coração ainda não te obedece. E não te deixa caminhar mais rápido. E continua te levando a passo miúdo. Um de cada vez. E bem devagarinho.
E eu querendo correr...
