Nada de fugas para Porto Alegre. Não mais. Os fantasmas eu tenho que enfrentar sozinha e aqui, porque é aqui que eles vão sempre estar e sou eu quem eles sempre vão atormentar. Dói saber que no caminho quase atropelei quem só queria me fazer o bem, só queria me ver bem, mas tentei de todas as formas não magoar do jeito que fui magoada. Acho que consegui. Agora tenho que seguir só a partir daqui. Sem trilhas sonoras a me hipnotizar. Sem aquele aconchego uterino pra me proteger. Só eu. Obrigada por tudo. Principalmente por ignorar a importância que você teve pra mim. Agora pode soltar a minha mão que eu atravesso sozinha. Já sou uma mocinha crescida. Só falta eu me convencer disso...
Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
Domingo, Dezembro 17, 2006
"Chega, acabou, basta. Esse sentimento não me domina mais. Você não tem mais lugar na minha vida e não pode mais ser a razão do meu sofrimento. Agora quero viver. Viver sem você. Viver comigo. Viver plenamente o que eu não consegui viver até agora. Sorrir, brincar, beijar, amar. Quero tudo. Agora estou em paz e tranquila. Agora tudo posso. Mesmo sem você. E principalmente sem você. Siga o teu caminho e seja feliz. Eu sigo o meu e certamente já sou mais feliz. Olho para os lados e vejo oportunidades. Inúmeras. Maravilhosas. Olho para mim e vejo uma nova pessoa. Mais forte. Maior. Do tamanho do mundo. Posso voltar a ouvir aquelas músicas. Posso mexer naquelas fotos com carinho. Posso frequentar os mesmos lugares e ligar novamente para os velhos amigos. Passar por você na rua com um sorriso tranquilo no rosto. Falar seu nome sem que a voz saia tremida. Chegar em casa sozinha e sozinha ficar. Sem medo. Sem tristeza. Preencher o vazio que você deixou com todo o amor que meus amigos querem me dar. Sentir apenas uma nostálgica saudade daquela vida. Sem dramas. Sou a mesma pessoa. A mesma pessoa diferente. A mesma que te amou e não te ama mais. E sigo."
Isso é um treino. Um dia eu vou reescrever esse texto e vai ser tudo verdade. Por enquanto, estou ensaiando...
Sábado, Dezembro 09, 2006
Não tenho as respostas para as perguntas mais importantes da minha vida nesse momento. Respostas que me deixariam satisfeitas. Que me deixariam seguir em frente. Que dariam novo sentido à minha vida. Fariam as lágrimas pararem de rolar. Consolariam o coração. Hoje sou um grande ponto de interrogação. Uma grande charada. Uma piada sem o fim engraçado. E não há um dia sequer que deixo de procurar o que vai me fazer, de uma vez, por todas, te esquecer.
Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Ela adiava aquele momento por meses a fio. Dessa vez, não tinha mais jeito. Puxou a caixa que estava empoeirada em cima do armário, sentou na cama e respirou fundo. Lá estavam elas. Como se a esperassem nesses últimos oito meses. Não eram muitas. Aliás, descobriu que eram poucas. Bem menos do que desejava. Ou talvez, felizmente não eram muitas. Uma confusão de sentimentos a dominou. Sentiu vontade de jogar tudo aquilo fora. Rasgar em pequenos pedaços, assim como sentia estar rasgada por dentro. Ou algo mais drástico. Colocar fogo em tudo. Devaneios. Não era assim. Gostava de guardar. Começou a mexer nelas. Quase não se reconheceu naqueles cabelos negros e compridos. Sentiu falta daqueles óculos escuros que caíam tão bem nela. Lembrou-se daquele dia. Daqueles dias. Dias felizes. Muito. Sorriu ao se deparar loira novamente. Cabelos curtos. Sorriso aberto. Havia adorado aquela viagem. Não conseguia recordar-se do nome daquela praia, mas lembrava-se dos planos de comprar uma casa ali. Sonhos bons. Agora via-se sorrindo. Mas sorrindo sozinha. Uma felicidade só dela e que ela mesma não entendia. Não sabia porque estava tão feliz naquele lugar. De repente, um sorriso torto. Veio à memória a lembrança do choro, momentos antes daquele sorriso. Choro e sofrimento. Sofria por dentro mas sorria por fora. Foi quando ela viu. E então, descobriu. Viu o semblante sério, preocupado. A indiferença estampada no rosto. A pose forçada. Descobriu então que naquela hora tudo já havia terminado. Só ela não sabia. Ainda. E depois de tanto adiar esse momento, ela recolocou de volta todas as fotos que relutou tanto em voltar a olhar. E chorou, mais uma vez.
