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Quarta-feira, Março 28, 2007


Quereres...


Agora eu quero tudo.

Quero as conversas intermináveis sobre o que vier à cabeça.
Quero as gargalhadas incontroláveis e os sorrisos cheios de significados.
Quero as promessas.
Quero as mãos dadas no meio da rua.
Quero os beijos roubados e aqueles esperados.
Quero os planos mais insanos e os mais plausíveis.
Quero os olhares de desejo e de carinho.
Quero as declarações nas horas mais surpreendentes.
Quero dormir de conchinha e acordar lado a lado.
Quero as noites mal dormidas e bem aproveitadas.
Quero as marcas pelo corpo e pela alma.
Quero o compromisso que preserva a individualidade.
Quero a admiração e o respeito.
Quero as tardes preguiçosas de domingo.
Quero as insanidades temporárias que não temem julgamento.
Quero o olhar cheio de luxúria e também de conforto.
Quero colo.
Quero aprender e ensinar.
Quero ser cuidada e cuidar.
Quero me sentir querida e bem-vinda.

Agora eu quero tudo.







Domingo, Março 25, 2007


Charmed


Marie Claire, Cláudia, Nova e dezenas de outras revistas que enchem os consultórios e salões de beleza, pra deleite dos nossos olhos nas horas vagas, já falaram sobre o assunto: diálogo entre homem x mulher.

"O que ela quer dizer quando diz não? E quando diz talvez? O que fazer quando ela afirma que está tudo bem ele ir jogar futebol toda sexta-feira à noite com os amigos ou ir pra despedida de solteiro do cara do trabalho em vez de ir ao batizado do priminho dela só pra depois poder fazer cara feia? O que você deve falar quando ela desaba em lágrimas mesmo fora da TPM. O que significa ele não querer discutir a relação na hora do jogo do Timão. Será o fim quando ele vira pro lado e dorme cansado em vez de agarrá-la como na noite anterior? Cuidado rapazes: o que ela quer ouvir quando pergunta se está gorda! A hora da verdade: quando ele ainda não quer apresentá-la para os pais...". E por aí vai...

Tudo repleto de significados "ocultos". Joguinhos, indiretas, entrelinhas... Mil respostas. Nenhuma satisfatória. Grilos na cabeça forever...

Por que o diálogo é tão difícil? Por que as pessoas têm tanto medo da verdade? Medo de perguntar, medo do que vai ouvir, medo de responder, medo do que o outro vai pensar...

É muito medo de conversar!!

Sempre fui da filosofia de que é melhor ouvir o que tiver que ser e falar o que for preciso. "Duela a quem duela", como diria nosso ex-Presi... Melhor ouvir agora do que ser surpreendido com a resposta mais tarde... Melhor falar o que pensa do que ser mal interpretado depois. Ou não ser interpretado de forma alguma. Claro que existem coisas que não devem ser ditas. Vai do bom, do ótimo senso de cada um.

Mas isso é raro de se encontrar. Exige de nós uma maturidade sem tamanho e muita poeira engolida durante o caminho... Exige também que o "outro" seja maduro o suficiente pra aguentar esse tranco. Exige uma dose de coragem. Exige compromisso.

E quando você passa um final de semana inteiro tendo um, aliás, vários diálogos, de verdade, com alguém que sinaliza uma possibilidade de um relacionamento adulto, enfim... não tem como não ficar encantada...







Quinta-feira, Março 22, 2007


Felicidade personalíssima...


"- Cristina, tá me ouvindo?

Abriu os olhos. Estava novamente sentada na sala da casa da mãe. Seus pensamentos a levaram longe, bem longe, como sempre acontecia quando a mãe começava a tagarelar, contando fofocas sem fim sobre o restante da família. Quem casou com quem, quem teve filho com quem, quem traiu quem...

- Sim, mãe, estou ouvindo...
- Pois então! E a Luciane vai casar, casar com aquele estrupício, como pode? Bem dizia a sua avó que mulher só não casa com sapo porque não sabe qual é o macho...
- É mãe, é mesmo...
- A próxima é você, né filha? Eu queria taaaaaaanto um netinho, uma criança correndo aqui na casa, chamando de vovó... Você de noiva, ai que lindo... entrando na igreja com teu pai... nossa, até me emocionei... claro que teu pai teria que comprar um terno novo, os que ele tem estão um lixo, nossa... e a Marilza, hein, ia morrer de inveja. Aquele casamento chumbrega que ela fez pra filha dela não ia chegar nem aos pés do teu... Jasmins, ah! Jasmins por todo o corredor da igreja até o altar...

Na mesma hora fez uma cara enfadonha. A mãe ficou em silêncio observando. Momentos como esse não eram bons.

- O que é que você tem, menina?
- Nada, mãe...
- Você não me engana Maria Cristina. O que foi, fala logo!
- Mãe, já disse que não é nada...

Teria coragem de falar? Tudo o que queria era que o tempo regulamentar de visita à casa da mãe terminasse logo... e então, veio a pergunta...

- E o Felipe, como vai?

Era agora ou nunca...

- Vai bem, eu acho...
- Eu acho? Como assim, eu acho?
- A gente terminou, mãe...
- Aiminhanossasenhoradasencalhadas... terminaram? O que é que você fez?
- Eu??? Nada!
- Ah, Maria Cristina, claro que fez! Ah, meu Deus!! Vocês estavam juntos há tanto tempo, tantos planos!!! Imaginamos um casamento tão lindo pra você, tudo perfeito, tudo!! Um rapaz tão solícito, bonzinho, bonito. A família inteira sempre fez gosto nesse relacionamento, até seu pai!! A gente gostava tanto de conversar com ele e ele gostava tanto de vir aqui em casa! Eu adorava o jeitinho família de vocês juntos! Natal, Reveillon, festas de aniversário da família!! O comentário do ano foi o casamento de vocês marcado pro ano que vem! Tantos planos, tantos planos!! Eu já estava chamando ele de filho, até!! Ah, meu Deus...

De repente o celular começou a despertar. Tempo regulamentar de visitas à mãe terminado. Hora de ir embora.

- Tenho que ir, se cuida mãe... Outra hora falamos sobre isso...
- Mas... Já? Fica pra janta!
- Não posso mãe, não posso...
- Tá bom então, vai com Deus...

Já na porta, virou-se pra dar um último beijo na mãe e flagrou o olhar marejado... As duas se olham. A mãe esboça uma despedida sentimental...

- Filha... eu...
- Eu sei mãe, eu sei... Eu também, tá?

Vira-se e entra no elevador. Sã e salva. O celular tocou. Sorriu ao reconhecer o número.

- Oi amor...
- Oi linda. E aí, como foi?
- Mais uma visita daquelas, você sabe... Falei pra mamãe...
- Falou? E ela?
- Um chilique, parecia que ia ter uma síncope... mas se acalmou no finalzinho... Falou dos planos "tantos planos!"...
- Hehe... é bem a tua mãe mesmo. Mas pelo menos estamos livres agora...
- Ah, sim. Livres, enfim. Final de semana só pra gente, viagens só nossas. Planos só nossos! Paz, enfim!
- Foi idéia tua...
- Sim, e estou adorando!
- Rs... Vem aqui pra casa?
- Vou, estou indo...

Desligou o telefone com um sorriso no rosto. Que delícia era a sensação de liberdade... E de repente sentiu o quanto estava mesmo apaixonada. Como nunca sentira antes. Se a mãe ao menos soubesse...

Ligou o carro. Felipe a esperava...







Terça-feira, Março 20, 2007


Gratas surpresas...


Um dia um vento vindo de longe me trouxe uma grata surpresa. Trouxe pensamentos vindos lá do outro lado do oceano. Pensamentos de um irmão de língua. Pensamentos doces e ao mesmo tempo fortes. Complexos e ao mesmo tempo recheados com uma simplicidade incrível. Palavras sábias e ao mesmo tempo de uma ingenuidade sem tamanho.

Ele me disse uma frase que ficou na minha cabeça hoje...

"A vida nos marca, mas também nos sorri ...
é só esperar atenta, na intenção ...
e tudo se desenrola duma forma quase que fantástica ...
quase miraculosa á nossa frente ..."

Ele é complexo, não digam que não avisei. Mas surpreendente...

Ele está aqui: Emergente Complexo.







Terça-feira, Março 06, 2007


Ser ou não ser, eis a questão


"Estar sozinha não significa estar solitária".

Essa sempre foi a minha frase mais usada. Creio que realmente nunca tive problemas em estar sozinha, solteira, sem namorado. Amigos, não custa repetir, são fiéis e estão sempre ali. Pra choro, pra boteco, pra putaria, pra papo cabeça e até pra beijar na boca. Claro que volta e meia dá vontade de ser casalzinho, andar de mãos dadas, dormir de conchinha e conjugar no plural. Mas, como diz minha sábia mãe, vontade é uma coisa que dá e passa.

Presenciar determinadas cenas toscas em alguns namoros tem me feito pensar seriamente sobre assumir um compromisso com alguém. E nem falo só de infidelidades escancaradas. Falo da falta de respeito, de carinho e até mesmo de educação em muitos relacionamentos que tenho acompanhado por aí. Falo da destruição do amor-próprio, da falta de auto-estima, da humilhação velada que vários namoros têm causado em ambas as partes. E da continuidade dessa rotina pelo simples medo de se ficar sozinha.

As mulheres, em sua grande maioria, quando passam dos 30 começam a desenvolver uma pequena neurose. Estar sozinha é um prenúncio de virar uma encalhada. Com esse pensamento em alta, agarram-se à primeira- e em seu entendimento "última"- oportunidade (leia-se: ao primeiro merda) que vêem pela frente e pronto. Daí pra frente é só declínio. Um relacionamento merda, com uma pessoa merda, apenas pelo medo de ficar sozinha.

Dá vontade de bater, não?

Amanhã farei 33 anos. Graças a Deus, cada um deles muito bem vividos. Muito bem aproveitados. Cheios de experiências válidas, relacionamentos dos mais diversos possíveis, amigos que vieram, passaram ou ficaram, muito sexo, beijo na boca, risadas, lágrimas na medida certa, surpresas e tudo o que eu poderia desejar pra minha vida.

Chego aos 33 anos sozinha. Por escolha, cumpre informar. Namorar por namorar deveria ser proibido. Principalmente para a mulher depois dos 30. Ela, a mulher independente, bonita e dona da sua vida, que deveria saber aproveitar os amigos, beijar na boca sem compromisso, as vantagens do sexo casual ou mesmo a escolha pensada do celibato (eu não entendo, mas tudo bem...).

Chego aos 33 anos podendo escolher. Podendo pegar o celular num sábado à noite e ter companhia pra tomar um café. Ou uma cachaça no boteco. Ou mesmo pra ver um filme debaixo do edredon com direito a uma noite de sexo-suado-sem-compromisso. Mas só posso fazer essas escolhas porque, primeiro, escolhi estar sozinha. E estar sozinha jamais significará estar solitária.

Chego aos 33 anos rodeada de pessoas que só me fazem bem. Onde eu posso compor relações das mais variadas e que me completam. Uma pra rir. Outra pra contar tudo. Um pra me dar ombro e colo. Outro pra me dar beijo na boca e sexo gostoso. Um pra me apoiar. Outro pra me dar esporros nas horas certas. Uma pra me fazer companhia silenciosa. Outra pra falar pelos cotovelos. Tenho tudo e reconheço.

33 anos. E estou adorando...