Raramente eu comento assuntos sérios, política, religião, futebol ou tragédias (a não ser as pessoais) aqui no blog. Quando o avião da TAM caiu na terça-feira da semana passada, eu recebi a notícia, primeiro por mensagem e, depois, por celular. Não li os jornais, não liguei a televisão, não procurei pelo assunto na internet. Limitava-me a ouvir as informações por terceiros, compartilhava da tristeza dos outros e através dos outros. Levei 3 dias até ler a primeira notícia com meus próprios olhos. A primeira coisa que vi foi a página do Terra com as histórias de cada uma das vítimas. Nome, idade, ocupação, gostos, hobbies, peculiaridades e fotos. Foi aí que realmente o acidente "chegou" até mim. Mas não pensem que eu fecho os olhos às tragédias, às notícias ruins que nos cercam, à miséria ou seja lá o que for. Não, de jeito nenhum. Não sou alienada e nem insensível. Mas tinha ótimos motivos para não me "envolver" com a história naquele momento. Eu tinha medo. Há poucos meses, uma parte da minha vida tem tido relação direta com o caos aéreo. Com os atrasos intermináveis nos aeroportos, as filas, as multidões e as incertezas das viagens. A cada 15 dias uma agonia me invade, a ansiedade me toma, o nervoso me abate. Impossível não estar mais por dentro do "apagão" aéreo do que eu. Saber de cor os horários de determinados vôos, saídas, chegadas, números, companhias? Fichinha. Congonhas tornou-se pra mim mais familiar do que nunca. E mais odiado também. Às vésperas de uma chegada ansiosamente esperada, vinda de Congonhas, a última coisa que eu queria eram notícias como aquela. Era pensar que eu poderia estar lendo a história de uma determinada pessoa num site da internet. Era passar pelo que as centenas de famílias estão passando nesse momento. Eu não sinto a dor dessas famílias. Eu não sei o que passa pela cabeça delas. Mas eu me solidarizo simplesmente por conseguir, de muito perto, pensar que poderia ser eu, ali, a chorar por alguém.
Que Deus nos proteja.
Sexta-feira, Julho 27, 2007
Sexta-feira, Julho 20, 2007
Já não sofro mais pelas coisas que não posso mudar. Aquelas que não tenho controle. Que não dependem só de mim.
Já não gasto mais meu precioso tempo com coisas ou pessoas que não vão me acrescentar nada. Tudo o que faço e as pessoas com quem me relaciono têm um significado especial pra mim.
Já não me considero mais tão auto-suficiente como antes. Preciso das pessoas e não tenho mais vergonha ou medo de pedir ajuda a quem me ama.
Já não me incomodo mais com coisas pequenas. Não me estresso com problemas do dia-a-dia. Não me preocupo por antecedência. Dou o devido valor ao que realmente importa.
Já não tenho mais medo de amar, de me entregar, de sonhar. E digo que amo, quando realmente amo, sem pensar no que virá depois.
Já não tenho mais medo de ficar sozinha. Porque estar sozinha não é estar solitária.
Já não sou mais a mesma pessoa. E ao mesmo tempo sou. Sou aquela que estava aqui dentro durante tanto tempo. Aquela que eu sabia que um dia seria. Aquela que eu sempre quis ser.
Eu nasci de novo. Mas nasci eu mesma.
