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Segunda-feira, Agosto 20, 2007


O vidro de palmito


Desde que a primeira feladeumaputa queimou o primeiro sutiã, nós, mulheres, começamos uma caminhada, ou melhor, uma corrida desabalada rumo à independência, à conquista de direitos, ao status de igualdade com a ala masculina.

Que merda, hein?

Antes que as feministas de plantão me batam, me crucifiquem, me joguem pragas, explico: Nesses últimos 20 anos, principalmente, as mulheres mudaram. Trabalhar fora tornou-se normal. Entrar na faculdade então, quase uma obrigação. Ganhar menos do que um homem que exerce a mesma função, jamais! Jogamos futebol, entramos para as Forças Armadas, dirigimos ônibus e caminhões e até na construção civil as mulheres se meteram. Os casamentos foram adiados para depois da conquista profissional. Filhos, em número menor do que antigamente, são muito bem planejados e vêm bem mais tarde do que no tempo de nossas avós. Hoje, não é raro que uma mulher seja chefe de família e ganhe mais do que o marido. Eu sempre fiz parte desse clube. As mulheres mudaram. Mas ao mesmo tempo não mudaram.

Embora independentes, lutadoras, fortes, clamando por igualdade e invadindo espaços antes tipicamente masculinos, as mulheres continuam reivindicando, também, seu antigo posto de "mulherzinha". O homem tem a obrigação de trocar o pneu do carro de uma mulher? Ele tem que pagar a conta, pelo menos no primeiro encontro? Tem que abrir a porta, puxar a cadeira e mandar flores? Tem que ser protetor, machão, mas não pode ser machista e nem ciumento e "Deus me livre" dividir a conta do motel, ele é quem paga?

Ora queridas, não acham que estão exigindo um pouco demais dos nossos homens? Lembrem-se de que, nessa nossa corrida desenfreada em busca das conquistas femininas, atropelamos nossos homens e os deixamos para trás, sem dó e nem piedade alguma. Eles ficaram perdidos, acreditem. Não sabem mais qual o papel interpretar em nossas vidas. Não se sentem mais necessários. E além disso, dizemos que não precisamos mais deles, que somos iguais ou até melhores mas, ao mesmo tempo, queremos que eles nos protejam, paguem nossas contas e sejam cavalheiros no momento que melhor nos convém.

Homens confusos, é o que temos hoje. Tão confusos que, indignados por não serem mais tão "necessários", esquecem que a boa educação nada tem a ver com isso e deixaram de lados os pequenos mimos, os gestos cavalheiros e solícitos de antigamente. "Afinal", dizem, "elas não querem igualdade? Então que rachem a conta, abram suas próprias portas e troquem os pneus de seus carros! E que nos mandem flores também!".

Precisamos parar de deixar os homens confusos. E cabe a todas nós mostrarmos a eles seus devidos lugares em nossas vidas. Lembram daquela ridícula propaganda da mulher abrindo o vidro de palmito? Ela abre, mas fecha imediatamente e pede ao marido, machão, forte, uga-uga, que abra pra ela? Me diz a verdade: Você vai se rebaixar, vai doer muito, vai macular profundamente seu status de mulher-moderna-independente-e-auto-suficiente deixar que seu marido/amante/namorado ou seja lá o que for, abra o seu vidro de palmito?

Claro que não, né? Mas pra ele, acredite, vai fazer uma diferença enoooorme, ah se vai... Exercitar nosso lado mulherzinha é mais difícil do que parece, eu sei por experiência. Mas vai fazer um bem tão grande ao seu homem, que depois você não vai nem lembrar de como teve que se reeducar pra isso. Veja bem, não estou falando de ser submissa, de se violentar ou fazer algo que te desagrade só pra poder deixar seu fofo feliz. Não é isso. Estou falando de pequenas coisas no dia-a-dia, aquelas que nos acostumamos a fazer sozinhas, porque sabemos que podemos mesmo fazer, mas que são enormes para eles. Com isso eles se sentem necessários. Sentem que têm um lugar em nossas vidas. Parece bobo, não? Mas veja a cara de felicidade do seu consorte quando você admite que precisa dele pra alguma coisa. Qualquer coisa.

Vale a pena, eu vos digo. Nós temos o poder mesmo. E esse poder é tanto, que podemos fazer com que eles acreditem que somos frágeis, indefesas, e que são eles realmente o sexo forte. Aprenda com o vidro de palmito, eu repito. E depois me conta como foi. ;)








Quinta-feira, Agosto 09, 2007


Eu me amo


"Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim..."

Eu me amo. E gosto da minha companhia. Muito. Gosto de chegar em casa, andar sozinha pela sala, só de calcinha, escolhendo um CD pra ouvir ou um filme pra assistir. Abrir a geladeira e comer exatamente o que eu quero, do jeito que eu gosto, preparado por mim. Arrumar as coisas da maneira que eu quiser. Ou deixá-las completamente desarrumadas. Deitar na cama e ler um livro até adormecer. Tomar banho demorado tocando minha guitarra imaginária no chuveiro e cantando desafinadamente para desespero dos vizinhos logo cedo. Passar longas horas navegando pela internet. Entrar madrugada a dentro concentrada em uma petição difícil, em um trabalho interessante. Ir ao shopping comprar "presentes" pra mim mesma. Me fazer agrados. Me amar.

Eu me amo e gosto da minha companhia, mesmo não me suportando na TPM e sabendo que sou uma megera nesse período. Mesmo sabendo que sou preguiçosa e jamais irei fazer uma faxina em casa e serei dependente de empregada pelo resto dos meus dias. Mesmo sabendo que não encontro o que eu quero por causa da bagunça que faço em casa. Mesmo sendo uma filha relapsa, uma advogada obcecada e uma gastadora compulsiva. Ainda assim eu me amo.

Mas isso só aconteceu depois de meses de aprendizado. E que lição difícil, caceta! Isso demorou pra acontecer. E só aconteceu depois que eu me convenci de que eu não era aquela pessoa horrível e tão insuportável que tomou um pé na bunda e um chifre homérico do marido que não me aguentava mais. Depois de me convencer de que eu era até uma pessoal legal, por que não? Depois de deixar de ser tão severa comigo mesma e aceitar meus defeitos, reconhecer minhas qualidades. E se eu estivesse, finalmente, feliz sozinha, na minha companhia, os outros também estariam.

Demorou, mas aconteceu. Eu hoje estou feliz com a minha companhia. Sinto segurança em mim mesma. Confio na minha própria capacidade. Ei, eu sou bem legal! E por conta disso, consigo acreditar que as outras pessoas também se sentem bem comigo. Ficam felizes ao meu lado. Me acham boa companhia e uma pessoa legal. Me amam. Porque eu consigo me amar.

Hoje eu me amo e também amo outro. E porque eu me amo, quem eu amo consegue me amar, do jeitinho que eu queria... Saca? E isso sim, meus queridos, isso sim é amor. O meu amor por mim, por ele, por nós, enfim... amor! O amor que ama os defeitos, as qualidades, o amor que se ama e se renova, o amor que não depende, que não sufoca, o amor que evolui, o amor que se doa e também recebe. E tudo porque, primeiro, eu consegui me amar. E daí pra frente, foi fácil...

Ultraje a Rigor disse bem: "Completamente eu vou poder me entregar, é bem melhor você sabendo se amar".

Se você, pessoa exigente, conseguir, quem não conseguirá te amar?