Segunda-feira, Agosto 20, 2007
Quinta-feira, Agosto 09, 2007
"Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim..."
Eu me amo. E gosto da minha companhia. Muito. Gosto de chegar em casa, andar sozinha pela sala, só de calcinha, escolhendo um CD pra ouvir ou um filme pra assistir. Abrir a geladeira e comer exatamente o que eu quero, do jeito que eu gosto, preparado por mim. Arrumar as coisas da maneira que eu quiser. Ou deixá-las completamente desarrumadas. Deitar na cama e ler um livro até adormecer. Tomar banho demorado tocando minha guitarra imaginária no chuveiro e cantando desafinadamente para desespero dos vizinhos logo cedo. Passar longas horas navegando pela internet. Entrar madrugada a dentro concentrada em uma petição difícil, em um trabalho interessante. Ir ao shopping comprar "presentes" pra mim mesma. Me fazer agrados. Me amar.
Eu me amo e gosto da minha companhia, mesmo não me suportando na TPM e sabendo que sou uma megera nesse período. Mesmo sabendo que sou preguiçosa e jamais irei fazer uma faxina em casa e serei dependente de empregada pelo resto dos meus dias. Mesmo sabendo que não encontro o que eu quero por causa da bagunça que faço em casa. Mesmo sendo uma filha relapsa, uma advogada obcecada e uma gastadora compulsiva. Ainda assim eu me amo.
Mas isso só aconteceu depois de meses de aprendizado. E que lição difícil, caceta! Isso demorou pra acontecer. E só aconteceu depois que eu me convenci de que eu não era aquela pessoa horrível e tão insuportável que tomou um pé na bunda e um chifre homérico do marido que não me aguentava mais. Depois de me convencer de que eu era até uma pessoal legal, por que não? Depois de deixar de ser tão severa comigo mesma e aceitar meus defeitos, reconhecer minhas qualidades. E se eu estivesse, finalmente, feliz sozinha, na minha companhia, os outros também estariam.
Demorou, mas aconteceu. Eu hoje estou feliz com a minha companhia. Sinto segurança em mim mesma. Confio na minha própria capacidade. Ei, eu sou bem legal! E por conta disso, consigo acreditar que as outras pessoas também se sentem bem comigo. Ficam felizes ao meu lado. Me acham boa companhia e uma pessoa legal. Me amam. Porque eu consigo me amar.
Hoje eu me amo e também amo outro. E porque eu me amo, quem eu amo consegue me amar, do jeitinho que eu queria... Saca? E isso sim, meus queridos, isso sim é amor. O meu amor por mim, por ele, por nós, enfim... amor! O amor que ama os defeitos, as qualidades, o amor que se ama e se renova, o amor que não depende, que não sufoca, o amor que evolui, o amor que se doa e também recebe. E tudo porque, primeiro, eu consegui me amar. E daí pra frente, foi fácil...
Ultraje a Rigor disse bem: "Completamente eu vou poder me entregar, é bem melhor você sabendo se amar".
Se você, pessoa exigente, conseguir, quem não conseguirá te amar?
