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Quinta-feira, Abril 24, 2008


Covardia corajosa...


Para todos que os cercavam, Patrícia e Fernando viviam uma paixão de cinema. Até que Fernando terminou o namoro. Disse que não correspondia ao amor que ela sentia por ele. Ela sofreu, chorou. Mas ficou sozinha, esperando. Tinha certeza que ele voltaria. Pouco depois ele pediu pra voltar. Ela aceitou. Mais alguns meses e Fernando terminou o namoro novamente. Mais uma vez disse não conseguir corresponder. Patrícia desesperou-se, mergulhou nos estudos, no trabalho. Mas continuou sozinha, esperando. Novamente a certeza de que ele voltaria. Em pouco tempo, Fernando pediu uma outra chance. Isso repetiu-se, meses a fio. Patrícia sempre deixava, sempre voltava, sempre esperava. Sempre teve a certeza de que ele voltaria e que um dia seria para ficar. Até que uma noite Fernando olhou-a firmemente e disse: "estou saindo com outra pessoa". Patrícia, arrasada, resolveu se afastar. Sabia que Fernando era o amor de sua vida e que só lhe restava esperar. Ele voltaria para ficar. Mas as férias chegaram, o tempo foi passando, e Fernando não voltava. A distância ajudou, os amigos deram força. Passados alguns meses, Patrícia conheceu outra pessoa. Deixou a aproximação acontecer e começou a namorar novamente. Mas não se envolvia, porque ainda esperava por Fernando. As férias de verão terminaram e os dois se reencontraram. A notícia da morte de um amigo em comum os reaproximou e os dois trocaram algumas palavras de conforto e nada mais. No dia seguinte, novo diálogo, tímido ainda. No terceiro dia, o convite para um café com chantilly, o preferido dela e que os dois compartilharam inúmeras vezes enquanto namorados. Na hora da despedida, a pergunta: "você está com alguém?". Ela pensou antes de responder. Mas disse que sim. Perguntou se era sério. Ela ficou calada. Ele não disse mais nada e foi embora. Foi o start. No outro dia, Fernando se declarou. Pediu pra voltar. Pediu mais uma chance. Disse que tinha mentido antes, que não tinha ninguém. Que estava completamente apaixonado por ela e teve medo. Que finalmente tinha correspondido ao que ela sentia e entrou em pânico, daí mentiu. Pra se afastar. Disse que a amava. Que ela era a mulher da vida dele e que a faria feliz. Que dessa vez, voltaria para ficar. E pediu uma resposta. Num lance desesperado, Patrícia viajou com uma amiga. Ficou uma semana fora e prometeu a Fernando que iria pensar. E pensou. Sempre teve a certeza de que ele voltaria. E ali estava. Ele queria voltar e queria ficar. Ela sempre soube que isso aconteceria. Quando voltou de viagem, o namorado foi buscá-la no aeroporto. De lá, direto para o motel. Na cama, ele fez o pedido: "Eu nunca mais quero te deixar. Quer se casar comigo?". Tinham 4 meses de namoro. Ela disse sim. Colocou uma aliança no dedo e foi mostrar a Fernando. Ele chorou, disse que ela não seria feliz. Ela mentiu. Disse que não o amava mais. Que ele não podia mais corresponder. Mas não lhe contou sobre o medo. O medo de que ele não ficasse novamente. Ele achou que ela estava fazendo isso para se vingar. Nunca mais a procurou. Hoje, separada, Patrícia ouve notícias esparsas de Fernando. A última delas, de um casal de amigos em comum, afirmava que Fernando morava em outro estado, estava solteiro, sozinho e que perguntava por ela. Patrícia sorriu. Sorriu quando lembrou da coragem de sua covardia...







Quarta-feira, Abril 23, 2008


Ei, psiu...


O "primeiro" primeiro encontro: Um pulo. Um susto. Um sorriso na multidão. Um bronca pela demora. Um abraço quente. Um beijo mais que esperado. Um cachorro-quente. E no final, nós.

O "segundo" primeiro encontro: A procura na multidão. A urgência como nunca antes. O abraço saudoso. O beijo necessário. O alívio bem-vindo. As lágrimas teimosas. Os risos cúmplices. A omelete num quarto de hotel. E no final, mais uma vez, nós.

E no meio de tudo isso, o jeito moleque, o sorriso maroto e encantador. A teimosia irritante, mas ao mesmo tempo, tão sua.

Me mata de rir, do mesmo jeito que me mata de raiva. Me mima, do mesmo jeito que desafia a minha paciência. Me ouve, do mesmo jeito que ignora o que tento dizer. Conversa comigo, do mesmo jeito que se cala nos momentos importantes.

É o meu contra-senso. Meu contra. Meu senso. Meu amor.

Parabéns pelo seu dia, beibe. Te amo.







Segunda-feira, Abril 14, 2008


Ontem, hoje e amanhã


Aos 25 anos, Marina sentia-se eufórica. Um novo mundo se abria à sua frente. Formada, praticamente independente, cercada de amigos, de saúde, de alegria. Planos. Viagens por fazer. Coisas a experimentar. Experiências a abraçar. Começava a andar com suas próprias pernas e tal sentimento era inebriante. Deixava para trás a meninice, as inconsequências próprias da juventude, a casa dos pais, a despreocupação do dia-a-dia. Sua nova vida começava ali.

Aos 30 anos, Marina sentia-se realizada. Casada com o homem da sua vida. Feliz. Com uma casa linda. Tranquila. Segura. Profissionalmente estável. Financeiramente estável. Um pouco mais experiente, mas ainda com muito a viver ao lado daquele amor que escolhera com tanta convicção. Muitos planos, ainda. Coisas diferentes a experimentar. Experiências a dois. Começava uma vida em conjunto e tal sentimento era reconfortante. Deixava para trás a solteirice, os amores fulgazes, os beijos descompromissados, o sexo casual. Sua nova vida começava ali.

Aos 35 anos, Marina sentia-se perdida. Separada há dois anos, ainda vivia as seqüelas da forma abrupta como tudo se deu. Outra casa. Insegura. Triste. Praticamente no topo de sua carreira, reconhecida e bem remunerada. Apesar de tudo, sentia-se completamente inexperiente. Sem planos. Deixando-se levar. Sem gosto para experimentar. Sem vontade de viver coisas novas. Recomeçava e tal sentimento era angustiante. Deixava pra trás a ingenuidade que apostou na vida, a ilusão de um mundo cor-de-rosa e a espera pelo final feliz. Sua nova vida começaria ali?


Por que raios achamos que só um amor nos faz feliz?







Terça-feira, Abril 01, 2008


Mardita


Todas as manhãs a mesma rotina. Todas as manhãs, sem abrir os olhos, tatear o outro lado da cama. Todas as manhãs perceber que o outro lado continua vazio. Todas as manhãs chorar por cinco minutos, aproveitando o travesseiro quente. Todas as manhãs receber uma mensagem carinhosa dele. Todas as manhãs responder. Todas as manhãs marcar no calendário um dia a menos para se encontrarem. Todas as manhãs odiar quem inventou a saudade.