"E você ousa dizer que eu não te quero Carolina?
Eu te quero tanto, tanto que acordo com seu gosto na minha boca, seu cheiro no meu travesseiro, sua maciez no meu lençol e com meu corpo queimando com um tesão louco por vc..."
Tá. Entendi... :)
Domingo, Maio 31, 2009
Segunda-feira, Maio 25, 2009
"- Vou te ensinar uma coisa, querida: um dia a boiada estoura na vida de cada um de nós. E é assim que acontece.
- Como assim, vó?
- Eu e seu avô morávamos no mesmo bairro. Mas a gente não se falava, passava um pelo outro e nem se olhava. Eu era tímida, caseira, seu avô era rapaz malandro, vivia na vida. Um dia, eu vinha passando pela calçada, por um lado da rua. Seu avô vinha pelo outro lado, na direção contrária. No final da rua, uma boiada estourou (sim, querida, sou desse tempo em que as boiadas andavam na rua, dividindo espaço entre pedestres e os poucos carros). A boiada veio na nossa direção numa velocidade surpreendente, descendo a rua. Seu avô nem pensou duas vezes. Atravessou a rua na minha direção, me empurrou contra o muro lateral da rua e protegeu meu corpo com o dele. Foi então que eu olhei nos olhos dele pela primeira vez..."
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Saber que seus olhos não vão se cruzar, que suas bocas não vão se encontrar, que seu corpo não vai sentir aquele calor, que os sussuros não vão lhe causar arrepios, que as mãos não vão se entrelaçar, que os passos não vão ser na mesma direção...
Alguém sabe o quanto isso é (in)suportável?
Então é assim que acontece: Infelizmente você não pode ter tudo. Você pode escolher ser bonita. Pode escolher ser rica também. Ah, não, não pode escolher ser muito inteligente então. Um pouco, talvez. Pode escolher uma família legal. Mas geralmente as problemáticas são mais baratas. Olha, você pode escolher ser independente, engraçada, carismática. Pode escolher um emprego legal, algo que você realmente goste ou então alguma coisa que te pague bem, mesmo sendo sacal. Pode escolher ter apenas algumas neuras. Ou quem sabe ser dependente de terapia pelo resto da vida, tem quem curta. Mas não vai poder escolher um companheiro, vai ter que ficar sozinha. Então, nada de escolher um amor, ok? Amigos? Sim, pode escolher amigos, claro. É uma compensação, já que você vai ficar sozinha. Se você pode escolher ser feliz? Meu bem, eu vou repetir, você não pode ter tudo... E aí, o que vai ser?
Quinta-feira, Maio 21, 2009
"- Acho que vou deitar... Boa noite...
- O que você tem? Passou o dia calada...
- O que eu tenho? Vejamos: meu chefe me odeia, meu trabalho é sacal, ando sem dinheiro, estou acima do peso, me achando feia, você não me leva mais pra sair, só fica grudado nessa televisão assitindo futebol o dia todo, o chuveiro do banheiro está queimado e você não mexe um dedo pra trocar, o aluguel vai aumentar e sua mãe vem passar o feriado aqui em casa. O que eu tenho?
- Eu perguntei por educação. Você não podia ser como todas as mulheres e responder 'Nada não'?
- ...
- ...
- Boa noite.
- Boa noite."
Segunda-feira, Maio 18, 2009
Não conhecia nenhum vizinho. Nunca gostou de fazer amizades gratuitas, de conversinhas de elevador, de fofocas de portaria. Era meio antipática e assim preferia. Sentia-se incomodada com a obrigação de confraternizar com a vizinhança. E evitava a todo custo. Um dia, o moço se mudou para o seu prédio. Eram vizinhos de porta. Na primeira vez que entrou no elevador junto com ele já pensava, com má vontade, se ia ter que fingir algum tipo de simpatia. Mas o rapaz também permaneceu em silêncio. Mal se olharam. E assim aconteceu todas as vezes. Era um silêncio confortável. Ela se sentia bem ao lado dele, dentro do elevador ou caminhando pela garagem em direção ao carro. Não se olhavam, não se falavam. Apenas o silêncio. O silêncio gostoso. Ela então passou a especular sobre o vizinho. O terno de corte impecável. Os sapatos de bom gosto. As mãos bem cuidadas. Não sabia que cor tinha os olhos dele, se ele era bonito ou não, mas sentia o perfume. Ah, o perfume dele. Passou a observá-lo discretamente e com cuidado. Às vezes ouvia baixinho alguma música que vinha do apartamento dele. Surpreendia-se com o bom gosto do moço. Outras vezes sentiu o aroma da comida que vinha de lá. Passou a esperar ansiosamente pelos encontros silenciosos. Vestia-se com mais cuidado, arrumava-se para ele. Sabia disso. E praticamente todos os dias encontravam-se durante os poucos segundos que o elevador levava do terceiro andar até a garagem do prédio. Um dia resolveu que iria falar com ele. Escreveu. Decorou. Ensaiou. Abriu a porta do apartamento e tocou a campainha ao lado. Ele atendeu. Ele tinha os olhos verdes. E era alto. E tinha o cabelo preto, cheio. Ele sorriu para ela. Ela deu meia-volta, sem dizer uma palavra, entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Ela gostava de loiros.
Quinta-feira, Maio 14, 2009
"Eu almoçava todos os dias sozinha. Não que gostasse de comer sozinha. Apenas não tinha companhia. Gostava do espagueti que a moça da cafeteria preparava. Era meu almoço todos os dias. Eu só não gostava das ervilhas que vinham no molho. Todos os dias enquanto comia, pacientemente, ia separando todas as ervilhas no cantinho do prato. Um dia notei o rapaz. Ele se sentava todos os dias, no mesmo horário que eu, em uma mesa no fundo da cafeteria. Todos os dias sozinho. E todos os dias olhava para mim. E eu continuava a comer, separando as ervilhas no meu prato. Um dia eu resolvi sorrir. O rapaz também sorriu. Ele se levantou e sentou ao meu lado em silêncio. Notei que ele também gostava do espagueti. Nós dois terminamos de comer e seguimos nossos caminhos. Todos os dias era assim. Um dia o rapaz resolveu falar: '- Quer me dar suas ervilhas?'. Eu dei. Daí em diante, eu separava minhas ervilhas e dava para o rapaz ao meu lado. E assim nos conhecemos. Namoramos, noivamos e casamos. Uma história fofa, não é? Até que um dia, descobri que ele mentia para mim. Há anos. Descobri que ele usou uma mentira até mesmo para se aproximar de mim. Resolvi fazer para o almoço aquele espagueti da cafeteria. E na hora de comer, ele começou a separar as ervilhas..."
